Da redação

 

Se não bastasse ser candidato do governador enrolado com a Justiça, Barbosinha divide palanque com Idenor Machado, Pedro Pepa, Denize e Cirilo Ramão

Ser o candidato do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), denunciado pelo Ministério Público Federal e em vias de ser afastado do cargo, está longe de ser a única mancha de corrupção na aliança de José Carlos Barbosa, o Barbosinha.


O candidato a prefeito da chapa DEM/PSDB divide palanque com quatro vereadores ex-presidiariários.


Além de candidatos à reeleição sem qualquer vergonha pelo tempo em que passaram atrás das grades, Denize Portolann (PSDB), Pedro Pepa (DEM) e Cirilo Ramão (MDB) estão batendo às portas dos eleitores douradenses para pedir votos para o candidato Barbosinha.


O quarto vereador enrolado com a Justiça no palanque de Barbosinha – Idenor Machado – não é candidato à reeleição, mas está de corpo e alma na campanha em apoio ao irmão, Valdenir Machado, candidato a vice-prefeito na chapa DEM/PSDB.


Apostando na memória curta do eleitor, a turma de Barbosinha está nas ruas como se nada tivesse acontecido, como se as operações de 2018 fossem apenas um pesadelo. Mas não foram.


Dia 31 de outubro de 2018. Equipes do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado), apoiadas pela Polícia Militar, tiraram da cama servidores, empresários e secretários da prefeitura.


Entre os presos estava a então vereadora Denize Portolann de Moura Martins, na época filiada ao PR (atualmente PL). Acusada de participar de licitações fraudulentas para envolvendo empresas prestadoras de serviços para a prefeitura no período em que foi secretária de Educação, Denize passou vários meses atrás das grades no presídio feminino de Rio Brilhante. Só ganhou liberdade no dia 15 de março, por força de habeas corpus do STJ (Superior Tribunal de Justiça).


Nas ruas, Denize tratou de se aliar aos tucanos para escapar de nova prisão. Se filiou ao PSDB, prometeu fidelidade ao grupo comandado por Sérgio de Paula e Reinaldo Azambuja e logo voltou para a Câmara. É candidata à reeleição, mas continua ré por corrupção, fraude em licitações e organização criminosa.
Cifra Negra – Enquanto Denize ainda mofava na cadeia, outra operação balançava a política douradense, a Cifra Negra, deflagrada no dia 5 de dezembro de 2018. Naquele dia, mais três legisladores douradenses foram parar atrás das grades: Idenor Machado, Pedro Pepa e Cirilo Ramão – os mesmos que agora turbinam a campanha de Barbosinha.


Idenor Machado, o irmão do vice de Barbosinha, foi denunciado como chefe de um esquema de corrupção envolvendo empresas de tecnologia contratadas em processos de licitação fraudulentos e com preços superfaturados pelo Legislativo douradense.


Em troca, segundo a denúncia do Ministério Público, Idenor recebia “mensalinhos” pagos pelas empresas controladas pelo empresário campo-grandense Denis da Maia, também réu no mesmo processo.


A operação descobriu provas que Pedro Pepa, então primeiro secretário, e Cirilo Ramão, segundo-secretário quando Idenor presidiu o Legislativo, também recebiam propinas. O esquema durou vários anos e só acabou quando o atual presidente do Legislativo, Alan Guedes (PP), assumiu a presidência da Câmara.


Na primeira prisão, Idenor, Pepa e Cirilo passaram poucos dias na cadeia, mas em 2019 todos voltaram a ser presos por descumprir medidas cautelares. Protegidos por boa parte dos colegas de Legislativo, os quatro vereadores escaparam da cassação, mas as ações penais continuam em andamento e logo todos devem ser condenados.

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