Durante a pandemia aumentaram os casos de violência contra mulher não só no Brasil; a liderança feminina chama atenção para os bons resultados conquistados ao redor do mundo

O maior evento da ONU sobre gênero e Igualdade reforça a preocupação mundial com a violência contra mulher

Por Mariana Rocha*

"A liderança das mulheres precisa ser incentivada para que o mundo seja igualitário."

(OnuMulheres) 

 

O mês da mulher promove várias reflexões a todas as mulheres ao redor do  mundo, seja quando observamos e reconhecemos a força inigualável  que nós mulheres temos, seja observando os tristes dados que compilam a realidade violenta na qual nós estamos sujeitas a todo o momento.

É neste mês também que são realizadas inúmeras iniciativas para tratar da vida das mulheres, em diferentes aspectos, no entanto, o destaque vai para o maior evento da ONU sobre Igualdade de gênero, a 65ª Sessão da Comissão sobre a Situação Jurídica e Social das Mulheres, que em 2021 acontece em formato híbrido, com a maior parte das atividades sendo realizadas de forma virtual, tendo como tema prioritário: “A participação plena e efetiva das mulheres e a tomada de decisões na vida pública, bem como a eliminação da violência, para alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento“.

 Desde 15 de março, muitos temas foram abordados, principalmente para xaminar o progresso, as lacunas e definir um roteiro global para alcançar a igualdade plena na vida pública através da participação e liderança das mulheres na tomada de decisões para resolver os desafios globais, o evento acontece entre os dias 15-26 de março.

O maior evento da ONU sobre gênero e Igualdade reforça a preocupação mundial com a violência contra mulher

Criada em 1946, a CSW integra o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC) e é o órgão mundial de formulação de políticas dedicado exclusivamente à promoção da igualdade de gênero e à capacitação das mulheres.

O secretário-geral da ONU, António Guterres afirmou durante a abertura da 65º Sessão da comissão sobre a Situação da Mulher que a crise global demonstrou que a desigualdade de gênero continua arraigada em sistemas políticos e socioeconômico globais, segundo ele a resposta à Covid-19 evidencia o grande poder da liderança feminina, uma vez que em países chefiados por mulheres, os níveis de transmissão foram baixos. Além disso, destacou que muitas mulheres se mobilizaram na sociedade civil para informar as pessoas e tentar mitigar os efeitos de todo o momento vivido pela comunidade global.

As mulheres estão na linha de frente da crise da Covid-19 como profissionais de saúde, cuidadoras, inovadoras, organizadoras comunitárias. A crise destacou tanto a centralidade de suas contribuições quanto os fardos desproporcionais que as mulheres carregam.

O maior evento da ONU sobre gênero e Igualdade reforça a preocupação mundial com a violência contra mulher
(Marielle Franco, Vereadora Eleita pela cidade do Rio de Janeiro,  foi uma das principais vozes políticas do Brasil, violentamente assassinada e silenciada em março de 2018. Marielle deixou um legado de esperança que estimula mais mulheres a entrarem na política) (Reprodução: Twitter @ONUmulheresBr)

A 65º CSW  salienta a importância da participação e atuação das mulheres na vida pública, enquanto gestoras e representantes políticas, visto que apesar de representarmos mais da metade da população global, ainda convivemos todos os dias com o preconceito e somos sub-representadas nas esferas de poder.

Outro ponto que chamou muita atenção durante o maior evento sobre gênero da ONU,  foram as falas de Irene Montero, ministra da Igualdade da Espanhã que afirmou “que é muito preocupante o avanço da extrema direita e dos fundamentalistas que seguem pressionando sem trégua”. A ministra afirmou também que “as vitimas e as sobreviventes da violência sexual seguem sem ver seus direitos protegidos e garantidos plenamente.”

 O maior evento da ONU sobre gênero e Igualdade reforça a preocupação mundial com a violência contra mulher

(Irene Montero, ministra da Igualdade da Espanha)

Mulheres na Vida Pública – O caso do Brasil

Pesquisa divulgada em março de 2020 [1]mostrou que em 75 países e territórios, 90,6% dos homens e 86,1% das mulheres mostraram ter ao menos um preconceito claro na questão da igualdade de gênero em áreas como política, economia, educação, violência doméstica e direitos reprodutivos das mulheres

Apesar do maior envolvimento das mulheres em funções públicas de tomada de decisão, a igualdade está longe: as mulheres ocupam cerca de 21% dos cargos ministeriais em todo o mundo, apenas três países têm 50% ou mais mulheres no parlamento e 22 países são chefiados por uma mulher, segundo a ONU no atual ritmo de progresso, a igualdade de gênero não será alcançada entre as Chefias de Governo até 2150, daqui 130 anos, outro dado importante é que apenas 13% das negociações de paz entre 1992 e 2019 tinham mulheres.

A representação de mulheres impacta positivamente a introdução de novos temas na agenda política e a ampliação do conhecimento para que as decisões se tornem mais justas, na medida em que incorporam a perspectiva de diferentes atores, relacionados a perspectivas sociais diversas, garantindo portanto o saudável aprofundamento da democracia.

 O maior evento da ONU sobre gênero e Igualdade reforça a preocupação mundial com a violência contra mulher

Brasil

As mulheres são maioria no Brasil. Em 2019, a população brasileira era de 209,5 milhões de pessoas, sendo 51,8% mulheres, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual (Pnad Contínua), do IBGE, de 2019. A presença equitativa de mulheres nos espaços de poder e tomada de decisão permite que a composição de tais espaços se aproxime ao máximo à constituição da sociedade.

 Sobre os dados das eleições municipais brasileiras de 2020 mais uma vez, foi confirmada a triste tendência de sub-representação, na medida em que foram eleitas 651 prefeitas (12,1%), contra 4.750 prefeitos (87,9%). Já nas câmaras, foram 9.196 vereadoras eleitas (16%), contra 48.265 vereadores (84%).

 

A representatividade feminina em cargos públicos no Brasil ainda é muito baixa, apesar das mulheres responderem pela maior parte do eleitorado brasileiro, correspondendo 52,5%, a Câmara dos Deputados, por exemplo, tem apenas 15% de mulheres, ou seja, das 513 cadeiras, apenas 77 são ocupadas por deputadas. Já no Senado somente 12 mulheres foram eleitas para as 81 vagas, o que equivale a uma participação feminina de 14%.

 

E como está a representação política das mulheres em Mato Grosso do Sul ?

 Em 2020 o Mato Grosso do Sul teve um resultado pouco expressivo no que diz respeito à participação de mulheres na política escancarando grandes discrepâncias na representatividade feminina nos poderes, mesmo com mulheres sendo a maioria do eleitorado

 Em pouco mais de 40 anos de Mato Grosso do Sul, apenas 12 mulheres tomaram posse na Assembléia Legislativa. Infelizmente, a maioria destas representantes chegaram até o cargo em razão de ligações familiares e conjugais com líderes políticos do estado e não por iniciativa própria ou de programas públicos de fomento da participação da mulher na política sul-matogrossense.

Apenas 30 das 79 cidades do MS lançaram mulheres ao cargo máximo do Executivo Municipal. Os municípios que tem mulheres no mais alto cargo do Poder Executivo Municipal 2021 são Água Clara, Corguinho, Fátima do Sul, Jardim e Naviraí.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2020, 33,15% das candidaturas foram de mulheres e, apesar de representarem 52,5% do eleitorado brasileiro, as mulheres representam apenas 45,3% das filiações partidária











 

“A participação das mulheres em condições de igualdade na tomada de decisões constitui não só uma exigência básica de justiça ou democracia, mas pode ser também considerada uma condição necessária para que os interesses das mulheres sejam levados em conta” (Pequim, 2006).

 

 
 


* Mariana Rocha é Gestora de Políticas Públicas para Mulheres em Dourados (MS) e membro do Time Nacional da Embaixada do Dia Internacional da Juventude (IYD – ONU)



[1] Pesquisa realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, divulgado no dia 5/mar/2020 

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