Da redação

Após passarmos meses registrando altos números de mortes por covid-19, já faz uma semana que a média móvel de óbitos da doença está em queda no Brasil. O que podemos concluir a partir disso?

Os site G1 e Metrópoles conversaram com especialistas, que apontaram alguns motivos para a queda. Mesmo assim, alertam que ainda não é hora de relaxar as medidas de segurança, como higienizar as mãos e evitar aglomerações.

A média móvel de mortes bateu a marca de 679 na quarta-feira (9), o menor número desde o dia 13 de maio, época em que a covid-19 ainda se propagava pelo Brasil.

Para o Metrópoles, o sanitarista Cláudio Maierovitch, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), disse que a dinâmica de circulação da doença mudou com o passar dos meses, já passamos a adotar medidas de proteção.

“A transmissão do vírus não acontece de maneira uniforme na população. Os primeiros infectados ficaram mais expostos, pois eles tiveram contato próximo com mais gente, receberam menos instruções e circularam por ambientes de maior risco”, disse.

“No período inicial da epidemia, o contágio é mais rápido e intenso. Após essas pessoas ‘superconectadas’ ficarem imunes – mesmo que não seja para sempre –, a transmissão desacelera”, completou o sanitarista.

Para o G1, o infectologista Alberto Chebabo, da Sociedade Brasileira de Infectologia, afirmou que essa queda na média móvel mostra que o pico da pandemia já foi alcançado no país, e que a partir de agora, a transmissão continuará acontecendo, mas de forma mais lenta.

“Você tem um pico e, após ele, a transmissão continua acontecendo, mas num limiar mais baixo. É o que está acontecendo no Brasil agora e o que já aconteceu em quase todo o mundo. É a evolução natural da doença”, afirmou.

Para quem considerou que a queda significa que nosso país atingiu a chamada imunidade de rebanho (quando uma parcela grande da população foi naturalmente infectada e está imune ao vírus), Chebabo afirma que nada disso aconteceu.

“Numa imunidade de rebanho, você tem uma circulação muito baixa do vírus porque a maioria das pessoas está imune. Isso não aconteceu no Brasil, o vírus continua se espalhando de pessoa a pessoa aqui, ele está em intensa circulação”, comentou.

Um estudo feito pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) mostrou que apenas 3,8% da população brasileira já contraiu a covid-19, o que ajuda a sustentar essa ideia.

Também para o G1, o infectologista Pedro Hallal, da UFPel, disse que não há como prever se pode acontecer uma segunda onda de mortes pela doença, mas que se ela acontecer, será menor.

“Não podemos fazer uma previsão de que terá uma segunda onda e qual será o tamanho dela, mas a tendência é que, se houver no Brasil, ela será menor do que a primeira porque já tivemos um percentual muito grande da população infectada”, afirmou.

O infectologista também disse que a queda na média móvel de mortes da covid-1  permite um retomada gradativa da economia, mas que ainda não é hora de relaxar todas as medidas de proteção, como higienizar as mãos e evitar aglomerações.

“A queda na média móvel não quer dizer que é possível retomar todas as atividades. Por outro lado, quando a curva epidemiológica está descendente, é possível planejar uma retomada da economia de forma gradativa. E deve levar em consideração o cenário epidemiológico de cada estado – diria até de cada cidade”, comentou.

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