Da redação

A Faculdade de Ciências Humanas (FCH) UFGD, em uma carta de apoio às comunidades indígenas de Dourados e Mato Grosso do Sul divulgada nesta terça-feira (26), cobrou dos Poderes Públicos, Municipal e Estadual, medidas de prevenção e proteção ao coronavírus, considerando que se trata de uma das maiores populações do país e que vem sendo, sistematicamente, afetada pelas doenças trazidas pelos não indígenas.

Segundo o documento, o Estado mantém o menor índice de contaminados do Brasil, mas vem descuidando de medidas preventivas e por isso, possivelmente, o número pode aumentar cada vez mais nos próximos dias. Para a FCH, os povos indígenas do MS não podem, mais uma vez, pagar com a vida pelo desenvolvimento econômico do estado e do país, por isso, fazem um apelo para que “levem em consideração a realidade dos povos indígenas”.


Essa situação é vista com preocupação. A direção explica que dentro da Reserva do município vivem cerca de dezessete mil pessoas e alta densidade populacional é resultado de um processo violento de colonização. “Em benefício do crescimento econômico, esses povos foram retirados de seus territórios e reduzidos em pequenas áreas que não deixam condições para a reprodução de seus modos de vida, dependendo, cada vez mais, do trabalho assalariado fora das reservas, empregados nos mais diferentes setores e tipos de serviços”, cita o texto.

O relato é de que a cidade atualmente depende de uma diversidade de trabalhos prestados por eles. Em frigoríficos, usinas, indústrias, construção civil, coleta de resíduos domiciliares, na limpeza pública, nos supermercados, farmácias e outros comércios, nas escolas como professores e gestores, nos hospitais como trabalhadores da saúde, no funcionalismo público, entre outros. "Também estão presentes nas casas como trabalhadores domésticos (...) estão nas escolas, nas universidades públicas e privadas, nos cursos de formação técnica, estudando e se preparando para atuação futura em diferentes áreas do conhecimento”, explica.


A FCH pede para que as comunidades tenham acesso à alimentação de qualidade, cuidados de saúde e equipamentos de segurança. a fim de diminuir os efeitos da entrada do coronavírus em seus territórios. Solicitam à administração da UFGD que não meça esforços para fortalecer os serviços que vem desenvolvendo com estas comunidades. Lembrando, por fim, que a Faculdade se mantém engajada nas medidas de enfrentamento, atuando (por meio de docentes, discentes e servidores técnicos) em parceria com a rede de cuidado e proteção aos povos indígenas no município e na região.

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