Da redação por Luiz Guilherme


Onde as mulheres deveriam estar protegidas, foi o local em que dos casos de feminicídios registrados em Mato Grosso do Sul, no ano passado, 77% aconteceram dentro da própria casa.


É o que aponta o relatório divulgado pelo Governo do Estado, por meio do programa de proteção à mulher ‘Não se cale’.


Crimes por ‘armas brancas’, isto é, facas, canivetes e machadinha correspondem a 37%, tendo a predominância de nove assassinatos com facas.


Dos 30 casos de violência doméstica, nove aconteceram com uso de arma de fogo, índice que corresponde a 30%.


Outros meios cruéis foram empregados pelos autores para causar a morte das mulheres como asfixia (três), estrangulamento (dois), espancamento (dois), atropelamento (um), queimadura (um), enforcamento (um) - o que corresponde a 33% dos casos.
Claro que nada justifica tirar a vida de alguém, ainda mais pelo simples fato de ser mulher. No entanto, o relatório justifica que entre as causas de mortes, está o inconformismo do companheiro quanto ao término do relacionamento.


“O inconformismo com a separação é o maior motivo alegado pelos autores dos feminicídios – o que evidencia o sentimento de posse que nutriam pela vítima, não aceitando a vontade da mulher e não permitindo que tomassem as rédeas de suas vidas. Isso foi a causa da morte em 12 casos”, cita trecho do documento.
Já tinham denunciado
A maioria das vítimas não possuía histórico de violência doméstica, sendo que 13 não tinham nenhum registro de ocorrência em seus nomes. Dez já haviam acionado a Justiça por causa da violência doméstica, porém com autores diversos.


Apenas sete vítimas haviam registrados boletins de ocorrência contra o autor da sua morte.
E de todas as 30 vítimas de feminicídios do período analisado, apenas duas possuíam medida protetiva vigente válida à época dos crimes. Outras três tinham solicitado e recebido medidas protetivas contra os autores, mas reataram o relacionamento, revogando tacitamente a medida concedida.

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